Fala-se de mãos e pés calejados, mas pouco se fala de corações calejados. Portanto... quanta gente há por aí vivendo como se não fosse possível ter sentimentos porque um dia foram magoadas. As pessoas mais duronas, que parecem indiferentes ao amor

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Terça-feira, 22 de Junho de 2010

O amor maduro não é menor em intensidade. Ele é apenas quase silencioso.

Não é menor em extensão. É mais definido, colorido e poetizado.

Não carece de demonstrações... presenteia com a verdade do sentimento.

Não precisa de presenças exigidas... amplia-se com as ausências significantes.

O amor maduro só aceita viver os problemas da felicidade.

Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer.

Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.

O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.

É feito de compreensão, música e mistério.

É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser criança.

O amor maduro não disputa, não cobra, pouco pergunta, menos quer saber.

Teme, sim.

Porém, não faz do temor, argumento.

Basta-se com a própria existência.

Alimenta-se do instante presente valorizado e importante, porque é redentor de todos os equívocos do passado.

O amor maduro é a regeneração de cada erro.

Ele é filho da capacidade de crer e continuar, é o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais como as epidemias do ciúme.

O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.

Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.

Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.

Ele não pede, tem.

Não reivindica, consegue.

Não persegue, recebe.

Não exige, dá.

Não pergunta, adivinha.

Existe, para fazer feliz.

Só teme o que cansa, magoa ou desgasta.

 

 

Texto retirado do blog: http://pensamentoslucena.blogs.sapo.pt/

publicado por RosaOliveira às 21:42